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Quais são os –possíveis– passos de Donald Trump após deixar a Casa Branca

Donald Trump em um dos primeiros eventos como presidente, em Washington, fevereiro de 2017 (Foto: CreativeCommons/Michael Vadon)

Classificado pela Bloomberg como o presidente mais controverso da história moderna, Donald Trump mantém a imprevisibilidade ao terminar seu governo à frente dos EUA, na quarta-feira (20).

Ainda há pouca ou nenhuma informação sobre os próximos passos do republicano ao deixar a Casa Branca. A única confirmação é que Trump não estará na posse de Joe Biden – o primeiro chefe de Estado a se recusar a comparecer desde Andrew Johnson, em 1869.

O agora ex-presidente encerrou seu mandato com um discurso na base aérea de Andrews, próxima à capital Washington. Na sequência, seguiu viagem para seu resort na Flórida, que estabeleceu como base no estado. “Nós voltaremos, de um jeito ou de outro”, afirmou.

Espera-se que, em curto prazo, Trump responda pelos discursos e circunstâncias que marcaram o dia 6 de janeiro de 2021 na história. Ao incitar um golpe de Estado, apoiadores insatisfeitos com o resultado das eleições invadiram e vandalizaram o Capitólio em cenas até então inimagináveis no grande bastião da democracia no mundo.

A inclusão de um novo pedido de impeachment contra o presidente foi imediato – o segundo em quatro anos. Se condenado no julgamento do Senado, Trump deve ser impedido de concorrer a um cargo federal novamente.

Quais são os (possíveis) passos de Donald Trump após deixar a Casa Branca
Donald Trump em agenda na Casa Branca em outubro de 2020 (Foto: White House Photo/Tia Dufour)

Prejuízo financeiro

A decisão pode afetar seus negócios. Grandes nomes corporativos já evitam o político-empresário nas redes sociais e cortaram serviços profissionais e financeiros de suas corporações em todo o país.

“Milhões de seus concidadãos continuarão a insultá-lo, tornando a marca Trump tóxica para metade do país e prejudicando as perspectivas de seu império imobiliário, hoteleiro e resort de golfe”, prevê uma análise de especialistas à Bloomberg.

Outras dezenas de milhões de norte-americanos, porém, poderão fazer o caminho contrário. A saída da Casa Branca tende a fortalecer sua base de apoio e tornar Trump uma força política por anos – estando ele na Presidência, ou não.

Novas formas de mobilização

O bloqueio de suas redes sociais – esfera onde reuniu a maior parte de seus apoiadores – força Trump a buscar novas formas de mobilização (e de monetização) de seus seguidores leais.

Especialistas observam a possibilidade do republicano se voltar à sua base eleitoral mais conservadora em canais privados ou em sites de mídia que competem com o Twitter.

Mas isso só ocorrerá se o bilionário não for preso – uma possibilidade legal e plausível, dadas as largas batalhas judiciais que deve enfrentar no pós-mandato, além dos acontecimentos no Capitólio.

Atrás das grades

Ainda antes dos confrontos violentos que deixaram cinco pessoas mortas em meio à invasão ao Congresso dos EUA, no dia 6, Trump já enfrentava diversos processos e investigações criminais.

“Há uma possibilidade muito real de que Trump acabe na prisão”, disseram os analistas da Bloomberg. Promotores acusam o ex-apresentador o reality show “O Aprendiz” de obstruir a justiça e de irregularidades no financiamento de suas campanhas.

Na última acusação, seu ex-advogado pessoal, Michael Cohen, foi sentenciado em três anos de prisão. Além disso, investigações apontam para evasão fiscal: em 2016, Trump pagou apenas US$ 750 em impostos, como reportou o jornal norte-americano “The New York Times”.

A conduta pessoal do presidente também está em questão. Testemunhas em dois processos em Nova York o acusam de difamação e agressão sexual.

A ligação vazada com o secretário de Estado da Geórgia, Brad Raffensperger, foi um dos últimos capítulos de sua cruzada pessoal para mudar o resultado da eleição de novembro e não reconhecer derrota.

Na conversa, Trump pede que Raffensperger, representante de um governo republicano, “encontre votos” para anular a vitória de Biden – forte indício de uma tentativa de fraude eleitoral. O pedido foi prontamente rejeitado.

Fora da Casa Branca, o bilionário deve ver o governo do democrata pautado em “desfazer” muitas de suas ações políticas e sociais. Mas boa parte delas, Trump terá de enfrentar sozinho.

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