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ONU: Investimento estrangeiro cai 42% em 2020, segundo Unctad

Trabalhadores desempregados esperam em fila com distanciamento social para buscar novas vagas em Medellin, Colômbia, dezembro de 2020 (Foto: FMI/Joaquin Sarmiento)

O investimento estrangeiro direto (IED) caiu 42% em 2020, conforme um relatório da Unctad (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento), lançado no domingo (24).

O valor caiu de US$ 1,5 trilhão, em 2019, para US$ 859 bilhões no ano passado – o mais baixo desde a década de 1990. O total ainda é 30% menor que o registrado após a crise financeira global de 2008-2009.

Para a Unctad, a incerteza sobre a pandemia e o ambiente político de investimento estrangeiro continuarão a afetar os fluxos este ano. O quadro preocupa os países em desenvolvimento.

“Os efeitos da pandemia vão perdurar e os investidores provavelmente permanecerão cautelosos destinando capital para novos ativos no exterior”, disse o diretor da Unctad, James Zhan.

Em outro relatório publicado no final do ano passado, o órgão previu uma queda de 5% a 10% no IED para este ano.

Países desenvolvidos

De acordo com a pesquisa, o declínio se concentrou nos países desenvolvidos, onde os fluxos caíram 69% para cerca de US$ 229 bilhões.

Já o volume na América do Norte diminuiu 46%, para US$ 166 bilhões, com as fusões e aquisições internacionais caindo 43%. Os Estados Unidos registraram uma queda de 49% com um total de US$ 134 bilhões.

Com relação a performances individuais, a China foi o maior receptor global de IED com fluxos crescendo 4%, para US$ 163 bilhões, ultrapassando os EUA.

Na Europa, os investimentos estagnaram-se com um balanço negativo de US$4 bilhões. No Reino Unido, esse indicador caiu para zero. Alguns países europeus, porém, contrariam essa tendência: na Suécia, os fluxos dobraram e na Espanha cresceram 52%.

Já na Austrália, o movimento caiu 46%, mas aumentou em Israel, de US$ 18 bilhões para US$ 26 bilhões, e no Japão, de US$ 15 bilhões para US$ 17 bilhões.

Países em desenvolvimento

Nos países em desenvolvimento, os fluxos de IED caíram 12%, para US$ 616 bilhões. Esse valor representa, no entanto, a maior porcentagem de sempre do total global, cerca de 72%.

A América Latina e o Caribe tiveram a maior redução com 37%. Na África, a diminuição foi de 18% e na Ásia de 4%. Já Índia, outra grande economia emergente, registrou crescimento positivo, 13%, impulsionado pelos investimentos no setor digital.

As perspectivas para 2021 são uma grande preocupação para os países em desenvolvimento. Embora os fluxos de IED nessas economias tenham mostrado alguma resiliência em 2020, os anúncios de novos empreendimentos caíram 46% e o financiamento de projetos internacionais 7%.

“Esses tipos de investimento estrangeiro são cruciais para o desenvolvimento da capacidade produtiva e da infraestrutura e, portanto, para as perspectivas de recuperação sustentável”, disse Zhan.

Setores

Em relação a setores, as indústrias de alta tecnologia tiveram um aumento de 11%. Fusões e aquisições internacionais também aumentaram 54%, principalmente nas indústrias de tecnologias de informação e comunicação e farmacêuticas.

O relatório diz que a descida de 35% em projetos greenfield, os que ainda estão sendo planejados, não são um bom presságio para novos investimentos em setores industriais em 2021.

A Unctad espera que qualquer aumento nos fluxos globais de IED em 2021 venha de fusões e aquisições internacionais, especialmente em tecnologia e saúde, não de novos investimentos.

ONU: Investimento estrangeiro cai 42% e perspectivas são fracas para 2021
Trabalhadores transportam caixas de alimentos para as populações mais pobres de Bangladesh em maio de 2020 (Foto: Unicef/Habibul Haque)

As empresas europeias deverão atrair mais de 60% dos negócios de tecnologia, mas várias economias em desenvolvimento também estão vendo um aumento.

Índia e Turquia estão atraindo um número recorde de negócios em consultoria de tecnologia de informação e setores digitais, incluindo plataformas de comércio eletrônico, serviços de processamento de dados e pagamentos digitais.

Cerca de 80% das empresas comprando outros negócios são de economias desenvolvidas, principalmente Europa, mas algumas firmas multinacionais de países em desenvolvimento também estão ativas no mercado.

Investidores sul-africanos, por exemplo, planejam adquirir participações em provedores de saúde na África e na Ásia. Além disso, empresas indianas anunciaram um aumento de 30% nas aquisições.

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