Internacional

Biden quer contato com rei Salman para ‘recalibrar’ laços com sauditas

O príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, e o ex-secretário da Defesa dos EUA, James Mattis, em visita de comitiva saudita ao Pentágono, Washington, em março de 2018 (Foto: Pentágono/Kathryn E. Holm)

Interlocução com rei reverte aproximação com herdeiro e abre espaço para Israel como líder regional

O presidente norte-americano Joe Biden usará o rei Salman como interlocutor na diplomacia dos EUA com a Arábia Saudita. A medida significa contornar o príncipe herdeiro, Mohammad bin Salman, considerado na prática o mandatário do reino, nas tratativas bilaterais.

“Deixamos claro desde o início que vamos recalibrar nosso relacionamento com a Arábia Saudita”, disse a secretária de imprensa Jen Psaki na terça (16). Em seu mandato, o ex-presidente Donald Trump deu protagonismo a Riad, e ao príncipe – apelidado de MBS –, em sua estratégia para o Oriente Médio.

Desde a eleição, contudo, Biden deu provas de que a aproximação com o maior exportador de petróleo do mundo não seguiria o mesmo tom do antecessor. Logo nos primeiros dias do mandato, o democrata suspendeu algumas das vendas de armas ao reino.

Depois, anunciou novos esforços para encerrar a guerra liderada pelos sauditas no Iêmen, que já dura quase seis anos. Apesar das tentativas de Riad de melhorar a sua imagem no exterior, Biden tem pressionado para que o reino melhore o seu histórico de direitos humanos.

O governo de Biden também tem sinalizado que incentivará o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, como líder regional na estratégia dos EUA no Oriente Médio “Israel é certamente um aliado”, disse Psaki à Reuters, na última quarta-feira.

Relações “mais convencionais”

Embora ocupe a função de vice-primeiro-ministro e ministro da Defesa, MBS já desempenha funções do rei no lugar de seu pai, o rei Salman, que já tem 85 anos. Outros líderes, como o russo Vladimir Putin e o francês Emmanuel Macron, mantêm contato direto com o príncipe.

A imagem do herdeiro se deteriorou após o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi dentro do consulado saudita de Istambul, em 2018. Apesar de suspeitos já terem sido presos, relatórios apontam que o príncipe ordenou o crime.

Aaron Miller, membro sênior da think tank Carnegie Endowment for International Peace, disse à Bloomberg que a mudança sugere relações mais “convencionais” entre Washington e Riad. “É provável que o elo volte a canais mais estruturados e rotineiros, como era antes de Trump”, apontou.

 

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