Maringá

Um felino chamado Nemo

A História de Nemo, um Gato Genial!

 

Li uma vez, há muito tempo, que os gatos são nossos fiéis companheiros. Assim, quando os dois primeiros gatos chegaram até mim, sequer pude imaginar que minha vida estaria prestes a mudar.

Na minha família sempre tivemos gatos de estimação, contudo eu havia decidido que não adotaria mais nenhum. Pensava: já fiz minha parte cuidando de felinos. Ledo engano!

Em 2018, ao adotar esse gato sensível e genial passei a chamá-lo de Nemo, pois ele me remeteu ao capitão Nemo, personagem de ficção do livro Vinte Mil Léguas Submarinas do notável escritor Júlio Verne, que eu li quando criança. Junto com ele, veio seu irmão ao qual dei o nome de Master. Eles têm duas irmãs que ficaram com uma funcionária da Copel, pois foram encontrados nas instalações externas da empresa, junto com a mãe deles que veio a morrer, tão logo eles nasceram.

Famintos e vulneráveis foram resgatados pela citada funcionária que os levou para sua casa. Como eram quatro animais, ela resolveu doar os machos.

Nádia não teve dúvida de que eu cuidaria e trouxe os dois para mim.

Desde que assumi a tutoria foram tratados com carinho, como se diz popularmente, a pão de ló: bebendo leite sem lactose e comendo ração de boa qualidade, especial para filhotes; os dois irmãos dormiam sempre juntos, na caminha deles, dentro de casa.

Na idade adequada, foram castrados e continuaram a receber cuidados de uma médica veterinária.

Master adora lamber leite em pó Ninho e Nemo gosta de batata doce assada, que come aos pedacinhos dados um a um.

Foram criados brincando pelo quintal e subindo nas árvores, pois a casa tem muros muito altos. Destruíram meu jardim interno, quando filhotinhos.

Gostavam de brincar durante o dia com bolinhas coloridas e que faziam algum tipo de ruído.

Quando os dois cãezinhos da minha filha vinham passar uns dias em casa, eu os levava para passear e os dois gatos nos acompanhavam felizes da vida.

Aqui, cães e gatos são amigos e se dão bem, pois foram ensinados, desde cedo, a conviverem em harmonia.

As coisas corriam normalmente, mas como nada dura para sempre, eis que chegou o temido momento em que os dois aprenderam a pular o muro e ganharam a liberdade das ruas adjacentes; quando eu saía para trabalhar, os gatos ficavam me esperando na calçada e iam junto comigo até a equina de casa; toda vez tinha que trazê-los de volta.

Escondiam-se nos galhos das árvores e eu sempre era surpreendida por eles me observando. Ao retornar do trabalho, no final da tarde, estavam me esperando no portão.

Cada um deles possui uma personalidade diferente e modo de agir peculiares.

A vida seguia seu rumo, os gatos crescendo e ficando cada vez mais ágeis e fortes, com seu instinto de caça sempre aguçado; eram os novos donos da casa.

 Contudo, num domingo de manhã, Nemo foi furtado por um rapaz e só descobrimos horas depois pelas câmeras, pois ele não apareceu para se alimentar.

Nossa preocupação teve início, bem como a procura pelo gato. Master ficou muito triste com o sumiço do irmão.

Distribuímos cartazes de procura-se pelo bairro, colocamos fotos do desaparecido nas redes sociais, oferecemos recompensa; alguns amigos e colegas de trabalho passaram a procurar o Nemo. Foi feito boletim de ocorrência.

Dois meses durou essa procura, até que a Nádia, de tanto investigar, encontrou-o.

Chamou por ele e ele veio correndo. Estava num terreno baldio ao lado de uma casa. O rapaz que o havia furtado correu atrás dela com o carro e tentou intimidar, mas quando viu o pai da Nádia, recuou e disse que o gato pertencia a ele e que iria denunciar à polícia; ouvindo dela que já havia boletim comunicando o furto e que ele poderia ir, caso desejasse.

Nisso, o rapaz deu as costas e nunca mais veio incomodar. O reencontro do Nemo com o irmão foi memorável e emocionante.

As coisas se acalmaram e continuaram bem; Nemo encantando as pessoas, readaptando-se ao ambiente da casa, nessa altura convivendo com mais dois gatinhos filhotes que também adotamos para não deixar o Master sozinho e deprimido.

Na sequência, ávido por aventuras e novidades, Nemo passou a frequentar o Bar Divina Dose, situado próximo de nossa casa, cujos proprietários são nossos conhecidos e lá recebeu o nome artístico de Divino.

Encantava os clientes, tirava fotos, vivia passeando em torno das mesinhas colocadas na calçada.

Ao decidir tentar apanhar os morcegos que ficavam nas árvores, dando saltos, ninguém conseguia impedir. Quando o bar fechava, vinha para casa dormir.

Com a atual pandemia, o bar cerrou as portas por um longo tempo e, Nemo, com ares de explorador de novos ambientes, começou a frequentar outros lugares nas imediações; não há como o segurar, ele é inteligente e independente.

Ele não gosta de ficar fechado dia após dia vendo o mundo passar; decididamente não é um gato doméstico. Até que conheceu o Roberto que mora em uma rua próxima. Roberto cuida muito bem dele, alimenta, passeia com ele e toda noite cumpre o ritual de trazer ele, no colo, para dormir aqui em casa, momento em que toma o leite que adora e vai dormir meio contrariado, pois gostaria de ficar na rua, eu acho.

Gosta de passar o dia com o Roberto, contudo não foi ele quem adotou o Nemo, o Nemo o escolheu e o adotou como amigo.

Nemo continua lindo, saudável, esperto, ensaiando saltos de até dois metros para ir aonde bem entende.

Outro senhor, amigo do Roberto, também ajuda a cuidar do Nemo e do Master quando estes saem de casa para explorar novos espaços, o Barba.

Atualmente, os dois gatos são conhecidos pelas pessoas que vivem nas imediações de nossa casa e a família do Roberto e a minha detém a guarda dos felinos, maneira que encontramos para equacionar a situação e manter os gatos em relativa segurança.

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