Internacional

UE e Índia negociam programa de infraestrutura global

Acordo visa oferecer uma alternativa ao Cinturão da Rota da Seda, do governo da China, aos países de Europa, Ásia e África

A UE (União Europeia) e a Índia negociam um projeto conjunto de infraestrutura global, reportou o britânico “Financial Times” nesta quarta (21). A medida seria uma tentativa de concorrer com a iniciativa chinesa global do Cinturão da Rota da Seda.

O plano consistiria em uma “parceria de conectividade” em setores de energia, internet e transporte, com condições legais e termos de divida menos onerosos que os oferecidos por Beijing, disseram diplomatas. É provável que a iniciativa seja lançada em uma cúpula virtual agendada para 8 de maio.

O novo projeto, disseram diplomatas, não deve servir como uma aliança “anti-Beijing”, mas uma tentativa para oferecer alternativas ao programa chinês na Europa, África e Ásia. Nova Délhi e Bruxelas ainda precisam finalizar termos – incluindo o que prevê a origem dos recursos, que devem vir dos setores público e privado.

Lançado em 2013, o Cinturão da Rota da Seda é uma programa de desenvolvimento adotado pelo governo chinês para financiar projetos de infraestrutura em diversos países do mundo. Seu objetivo, no limite, seria a ampliação da influência global da China.

A estrutura já foi endossada por mais de 150 Estados e organizações internacionais – incluindo mais da metade dos 27 membros da UE. Há críticas, contudo, a respeito de normas de governança ambiental, além dos limites e condições de pagamento das dívidas aos países beneficiários.

Alinhamento sobre 5G

No dia 19, a UE buscou a Índia para discutir a implementação das tecnologias de 5G e um possível distanciamento dos possíveis fornecedores chineses de telecomunicações. Conforme o jornal indiano “The Hindustan Times”, o bloco deve reunir líderes em maio para tratar das “crescentes preocupações” sobre o domínio da China no setor.

Em entrevista, a chefe antitruste da UE, Margrethe Vestager, afirmou que o bloco quer trabalhar com “parceiros democráticos”. O objetivo é estabelecer padrões abertos e transparentes no processo de adoção da tecnologia.

“Quando temos uma rivalidade sistêmica, devemos nos unir para proteger o que é realmente importante”, disse. “A forma como a tecnologia é usada é um reflexo do sistema que preferimos, que é a democracia”. Para dar conta da implantação, a UE precisa investir US$ 335 bilhões e e Índia mais de US$ 70 bilhões.

Países como EUA, Reino Unido e Austrália já rejeitaram a tecnologia de empresas da China. Os países alegam interferência do governo de Beijing nessas empresas e, por consequência, há risco de segurança nacional. Na Índia, fornecedores chineses foram excluídos de leilões de telecomunicações.

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