Brasil

Secretário de SP quer exigir volta de alunos e professores

Rossieli Soares tem percorrido escolas pelo interior do Estado conversando com dirigentes de ensino, pais e professores

O secretário estadual de Educação de São Paulo, Rossieli Soares, está numa cruzada pela volta às aulas presenciais. Nos últimos meses, tem percorrido escolas pelo interior do Estado conversando com dirigentes de ensino, pais e professores sobre o que ele considera um “massacre educacional” na vida de crianças e jovens neste ano de pandemia. “Temos de ter clareza de que ficar esse tempo sem escola pode causar um prejuízo para o resto da vida”, diz, em entrevista ao Estadão.

A convicção veio com um ano de provações pessoais. O filho adolescente foi diagnosticado com depressão depois de um tempo longe da escola. Em julho, Rossieli ficou 16 dias internado – alguns deles na UTI – com covid. “Muita coisa evoluiu de março ou maio para cá, hoje a ciência mostra que o espaço escolar é seguro. Para o estudante não voltar, só com atestado médico, se tiver no grupo de risco”, afirma. Ele defende uma norma estadual com a obrigatoriedade da volta para escolas e alunos. Pais da rede pública e particular seriam então responsabilizados ao não levarem seus filhos para aulas presenciais em 2021.

Professores das escolas estaduais também serão convocados a retornar, garante Rossieli. “Educação é direito da criança e dever do Estado, deve ser obrigatória dentro dos protocolos.” Atualmente, 1,8 mil das cerca de 5 mil escolas estaduais estão com atividades presenciais. A volta, por enquanto, é voluntária. Na semana passada, Rossieli já conseguiu uma vitória em sua cruzada: mudar o decreto estadual, garantindo que as escolas permaneçam abertas até na fase vermelha, a mais crítica.

Ano passado, no seu primeiro ano como secretário, houve uma chacina na Escola Raul Brasil, em Suzano. No segundo ano, pandemia. Acha que está preparado para qualquer coisa em 2021?

Essa triste coincidência ainda se conecta em datas, a chacina na Raul Brasil aconteceu em 13 de março de 2019. Em 13 de março de 2020, anunciamos o fechamento das escolas. Eu não estava preparado para a primeira e nunca imaginei passar algo como a pandemia. Deus queira que tenhamos um ano normal, com cobranças normais, com a sociedade vivendo mais próxima do dia a dia normal. Não posso dizer que esteja preparado para tudo. Raul Brasil foi muito difícil, falar com as famílias… e a pandemia nos atinge muito forte, é uma catástrofe sem proporções. Sofro demais pelo que os jovens estão passando, a escola é um espaço muito importante de proteção social. Quantos professores já não salvaram crianças?

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