Internacional

Premiê da Itália renuncia após perder apoio e maioria no Senado

O primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, em Roma, maio de 2020 (Foto: Governo da Itália)

O primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, apresentou a sua renúncia da chefia do Conselho de Ministros na manhã desta terça-feira (26) e já encaminhou seu processo de saída ao presidente Sergio Mattarella.

Além dos ritos institucionais, poucas coisas estão decididas até o momento. Há a possibilidade de que Mattarella ofereça ao premiê demissionário uma recolocação, diz a imprensa italiana.

Conforme o jornal “La Reppublica”, as consultas devem começar nesta quarta (27) e ser concluídas na quinta-feira à noite. Até lá, as tratativas entre o presidente e grupos parlamentares poderão oferecer a Conte os números suficientes para aspirar uma recondução ao cargo.

Isso só acontecerá se Conte conquistar uma maioria sólida entre os parlamentares – o que já não aconteceu em sua manobra no Senado no dia 19, apesar do voto de confiança da Câmara dias antes.

Sem aval da maioria, o chefe de Estado Matarella inicia o processo para escolher um novo nome que conduza o país em meio à segunda onda de Covid-19. Na disputa está o ex-aliado de Conte e ex-premiê Matteo Renzi, que desencadeou a crise ao deixar a coalizão governista no mês passado.

Renzi, do partido de centro-esquerda Itália Viva, foi primeiro-ministro da Itália entre 2014 e 2016.

Apoio popular

A previsão é que Conte não conseguirá convencer o Parlamento, divido entre apoio a si e a Renzi. “É improvável que os dois possam coexistir após os insultos que trocaram, mesmo publicamente”, escreveu o La Reppublica.

Renzi favoreceu a subida ao poder do agora adversário há pouco menos de 18 meses. O ex-primeiro-ministro quer evitar que Conte reestruture a sua base e angarie uma nova chapa para permanecer no governo.

A coalizão de Conte é formada pelo Partido Democrático, à frente, e o M5S (Movimento 5 Estrelas), populista e “anti-establishment”. As várias diferenças políticas da incomum aliança evitaram eleições antecipadas que poderiam ter favorecido as siglas de extrema direita.

Com mais de 50% da opinião pública a seu favor, Conte teve altos índices de aprovação após o primeiro lockdown na Itália, em março e abril de 2020.

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