Internacional

Paquistão pleiteia saída de ‘zona cinza’ de patrocinadores do terrorismo

Destroços após explosão por ataque terrorista em Karachi, Paquistão, março de 2013 (Foto: Divulgação/Nadir Burney)

Veredito ocorre em meio a ataque contra um comboio de mulheres ativistas na fronteira com o Afeganistão

A decisão sobre uma possível saída do Paquistão da chamada zona cinza de patrocinadores do terrorismo está no centro das discussões do watchdog GAFI (Grupo de Ação Financeira Internacional) desde segunda (22).

Islamabad foi rebaixado em junho de 2018 e teria de corrigir uma lista de 27 exigências, que envolvem combate à lavagem de dinheiro e financiamento a grupos extremistas. Desde então, fez progressos significativos – mas ainda insuficientes.

Funcionários do governo ainda não estão convencidos de que o país deixará a lista na próxima consulta, que acontece esta quinta (25), segundo um servidor que pediu anonimato ao diário indiano “The Hindu”.

Antes do veredito, o GAFI poderá exigir uma visita in loco para verificar se as medidas solicitadas estão sendo cumpridas.

Em fevereiro de 2020, o watchdog deu um novo prazo, até junho, para que o país cumprisse o acordo. Na revisão de outubro, o Paquistão já havia cumprido 21 das 27 exigências e o GAFI manteve o país na zona cinza.

Ao portal “The Diplomat”, outro funcionário do governo se disse otimista. “Alcançamos todas as metas e esgotamos todas as opções para garantir que os 27 requisitos foram atendidos”, disse.

No mesmo dia do início das negociações, a última segunda (22), um ataque terrorista matou quatro mulheres ativistas no distrito paquistanês do Waziristão do Norte.

Segundo o jornal indiano “Business World”, o grupo de ativistas caiu em uma emboscada em uma antiga região tribal do noroeste do país, próxima à fronteira com o Afeganistão.

O que falta

Nos últimos meses, o Paquistão prendeu mais de 750 suspeitos de terrorismo na província de Khyber Pakhtunkhwa, sob as diretrizes do GAFI.

Uma força-tarefa também capturou o líder do grupo extremista Lashkar-e-Taiba, Rahman Lakhvi, acusado de planejar os ataques de 2008 em Mumbai, na Índia, onde 160 pessoas morreram.

Ainda falta o julgamento de dois dos terroristas mais procurados da Índia, Maulana Masood Azhar, líder da Jaish-e-Muhammad, e Hafiz Saeed, que comanda a Jamaat-ud-Dawah.

A Índia tem agido para barrar a entrada do Paquistão na lista branca do GAFI, enquanto a China tem sido a principal aliada do governo de Islamabad.

Além das diferenças históricas entre as duas nações, que remetem ao domínio britânico, a relação bilateral chegou a um ponto baixo após o ataque terrorista em Pulwama, em fevereiro de 2019. Desde então, o governo indiano de Narendra Modi suspendeu acordos comerciais e de viagens com o Paquistão.

 

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