Opinião

Neoliberalismo e mercado financeiro na construção das crises econômicas

Por Marcelo Gonçalves Marcelino

O discurso neoliberal que colocava as empresas privadas como as únicas movidas pelo “espírito competitivo empreendedor” atingiu o ápice na década de 1990, principalmente após o colapso do socialismo real com a dissolução da ex-União Soviética em 1991 e o avanço das práticas neoliberais a partir da adoção das medidas acordadas no Consenso de Washington ainda no final da década de 1980 capitaneado pelos EUA. Essas medidas deveriam ser implementadas como um receituário imposto aos países periféricos como o Brasil, onde um vasto programa de privatizações, abertura de mercados ao comércio internacional, terceirizações dos serviços com gradativa diminuição dos gastos públicos e principalmente expansão do processo de financeirizações deveriam entrar na pauta urgente dos governos que assumissem a administração do Estado. Essas transformações desencadearam processos econômicos, políticos e sociais que aceleraram as disputas entre as megacorporações transnacionais assim como o seu processo de concentração e ainda a precarização dos sindicatos, a queda dos salários reais a partir dos EUA e a perda acentuada da participação democrática da sociedade civil.

Entrementes, apesar das turbulências em termos econômicos e políticos que o capitalismo tende a causar, o mesmo modo de produção capitalista cria novas formas de inserção e apropriação das condições materiais e subjetivas da sociedade através da absorção de porções de mais-valia cada vez maiores através de engenharias complexas entre os diversos setores do capital. Nas formas de organização e reorientação do capital, associações e simbioses entre a produção, a distribuição e o consumo dos bens e serviços disponíveis na sociedade e suas formas distintas de remuneração, acumulação e reprodução passam a se aperfeiçoar em termos logísticos e de redes de informação.

Isso ocorre também sob a ótica de administração de empresas e do mercado financeiro. Os papéis ou títulos públicos e privados lastreados evidentemente no setor produtivo que se difundem e perpetuam tanto na forma da mercadoria quanto nas transações virtuais do capital impulsionaram as crises econômicas ao longo das últimas décadas do século XX e agora início de XXI. É nesse pano de fundo que podemos discutir as questões que envolvem a divisão social internacional do trabalho na atualidade e suas contradições e conflitos, tanto em nível que abrange o setor real como no espectro financeiro, e como esse processo influencia diretamente nas ações do Estado capitalista e por meio desse a dimensão da atuação do setor público e das políticas públicas.

O livro procura discutir esses e outros assuntos que dizem respeito aos desdobramentos das ações estratégicas das instituições tecnocráticas como o Tesouro Nacional e o Banco Central como alicerces dessa engenharia econômica e financeira a serviço dos interesses dos capitalistas, principalmente do setor financeiro nacional e internacional em detrimento dos recursos orçamentários que deveriam ser destinados a população na forma de políticas públicas sociais e de infraestrutura.

 

 

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