Internacional

Na Eslováquia, vacina russa torna-se pivô de crise que ameaça derrubar governo

Divulgação/EPP Summit 202

Governo do premiê Igor Matovic encomendou doses da Sputnik V, ainda não aprovada pela UE, à revelia dos aliados

A solicitação de doses da vacina russa Sputnik V, não liberada para uso pela EMA (Agência de Medicamentos da União Europeia), tornou-se uma ameaça ao governo do primeiro-ministro da Eslováquia, Igor Matovic. O imunizante é pivô de uma disputa entre a coalizão, formada por quatro partidos, depois de uma encomenda feita à revelia dos aliados.

O ministro das Relações Exteriores da Eslováquia, Ivan Korcok, deixou o governo nesta quarta (24). A saída é a sexta renúncia do gabinete desde o começo de março, registrou a Reuters.

A fragilidade do governo vem na esteira do pior surto da pandemia no país de 5,5 milhões de habitantes. A Eslováquia soma 350 mil casos confirmados e cerca de 9,2 mil mortes – uma das nações europeias mais afetadas nas últimas semanas.

A sigla de Korcok, o SaS (Partido da Liberdade e Solidariedade), e o Za Ludi, ambos de direita, exigem uma reforma no governo e a escolha de um novo premiê. A presidente Zuzana Caputova também defende a renúncia.

A relação se desgastou durante o ano passado por discordâncias entre Matovic e seus parceiros. No domingo (21), o primeiro-ministro afirmou que estava disposto a deixar o cargo, mas listou uma série de condições.

Ele pede um lugar para si em qualquer outro gabinete e a saída de seu principal rival, Richard Sulik, chefe do SaS. “Não concordaremos com essas propostas”, disse Sulik à Deutsche Welle. “Obviamente é uma vingança pessoal”.

Novo premiê e Covid-19

O mais provável é que o atual ministro das Finanças, Eduard Heger, assuma o cargo de primeiro-ministro – se houver um acordo sobre o novo governo. A coalizão governista tem uma sólida maioria no Parlamento e já se manifestou contrária à convocação de eleições antecipadas.

Com uma das maiores taxas de mortalidade per capita por Covid-19 do mundo, a Eslováquia recebeu cerca de 200 mil doses da Sputnik V. O país, contudo, aguarda os resultados dos testes do lote para começar a administrar as vacinas.

Caso aprovado, até sexta-feira (26), o país seria o segundo do bloco europeu, depois da Hungria, a vacinar com um produto não aprovado pelo regulador de medicamentos da União Europeia.

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