Internacional

Moscou volta a pressionar ‘big techs’ e aplica mais duas multas contra o Google

Página principal do Google, em abril de 2020 (Foto: Nathana Rebouças/Unplash)

Ação é parte do projeto do Kremlin de forçar as empresas estrangeiras a abrirem filiais locais e ali armazenarem os dados de usuários russos

A Justiça da Rússia aplicou nos últimos dias duas novas multas no Google, sob a acusação de violação das regras nacionais de conteúdo digital. A ação é parte do projeto do Kremlin de forçar as empresas estrangeiras a abrirem filiais locais e, assim, armazenarem ali os dados dos usuários russos. As informações são da Radio Free Europe.

As multas foram aplicadas por um tribunal do distrito de Taganka, em Moscou: a primeira, no valor de US$ 190 mil (R$ 1,03 milhão); a segunda, de US$ 81 mil (R$ 439,5 mil). Nos dois casos, a Justiça acusa o Google de não obedecer a determinações legais de excluir conteúdo banido pelo governo. Twitter e Telegram haviam sido alvo da mesma corte recentemente.

Para os oposicionistas, a pressão que o Kremlin impõe atualmente contra as empresas estrangeiras de tecnologia está diretamente relacionada às eleições parlamentares de setembro, em meio à queda da popularidade do partido do presidente Vladimir Putin.

O governo, por sua vezes, afirma que apertou o cerco contra as gigantes da tecnologia a fim de fortalecer o que classifica como “soberania” nacional russa na internet.

Em maio, o próprio Google, mais Tik Tok e Twitter, foram multados por desobedecerem ordens legais de exclusão de conteúdo. A pena mais severa foi imposta ao Twitter, no valor de US$ 260 mil à época. O Tik Tok também foi alvo, com multa de US$ 20,4 mil, enquanto ao Google coube a taxa de US$ 47,7 mil.

O Google ainda travou uma batalha judicial depois de ter sido ordenado a reativar uma conta no Youtube. O canal em questão pertence a um empresário russo cristão ortodoxo que está sob sanção econômica dos EUA e da União Europeia (UE).

Rede de desinformação

Há duas semanas, o Facebook derrubou de suas plataformas uma rede de desinformação sobre vacinas que vinha atuando de forma organizada na Rússia, com intuito de espalhar notícias falsas em diversas partes do mundo, inclusive o Brasil.

A empresa fechou 65 contas do Facebook e 243 contas do Instagram ligadas ao grupo de marketing Fazze, que buscava recrutar influenciadores para endossar uma campanha contra os imunizantes Pfizer e Astrazeneca.

As informações foram reveladas no Relatório de Comportamento Inautêntico Coordenado (CIB, na sigla em inglês), documento publicado mensalmente pela rede social norte-americana.

Rede social baniu contas falsas que espalhavam fake news sobre imunizantes da Pfizer e Astrazeneca (Foto: Flickr/Divulgação)

Os investigadores chamaram de “lavanderia automática de desinformação” as contas conectadas à Fazze, que opera principalmente na Rússia e é uma subsidiária da empresa de marketing registrada no Reino Unido AdNow.

“A Fazze agora está banida de nossa plataforma”, disse o relatório que legitimou as ações do gigante da mídia social contra o comportamento inautêntico. E acrescentou: “A rede estava usando sua influência principalmente para divulgar mensagens antivacina dirigidas a públicos na Índia, América Latina e, em menor grau, nos Estados Unidos”.

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