Educação

MEC fará investimentos de R$ 1,2 bilhão no Programa Educa Mais Norte e Nordeste

Anúncio foi feito pelo Ministro da Educação, Victor Godoy, que participou da abertura da Bett Brasil, maior evento latino-americano de educação voltado para gestores de escolas e instituições de ensino públicas e particulares, que acontece até a sexta-feira (13), no São Paulo Expo

“A Bett Brasil aprendeu todos os dias, nos últimos dois anos, que é possível reconstruir para reencontrar pessoas, caminhos e soluções”, foi com essa afirmação que a diretora da Bett Brasil, Claudia Valerio, abriu o maior evento de educação e tecnologia da América Latina. A Bett Brasil ontem (10) e vai até a próxima sexta-feira (13) no Transamérica Expo, na capital paulista.

Cláudia destacou as lições aprendidas no período de pandemia e como o evento conseguiu manter ativa a comunidade educacional ao promover encontros online, experiências, vivências e inspiração nos 365 dias ao ano. “Neste ano o evento está ainda maior do que a última edição, realizada presencialmente, e isso mostra como o setor educacional está mais forte e ávido por novidades”, disse a diretora.

A cerimônia de abertura da Bett Brasil contou com a participação do ministro da Educação, Victor Godoy, que aproveitou a ocasião para ressaltar as ações da pasta para promover a recuperação das aprendizagens no cenário atual, visando também a transformação digital na educação do país. Ele destacou a ‘Plataforma de Avaliações Diagnósticas e Formativas’, que foi disponibilizada para todas as escolas do país a partir do ano passado para o acompanhamento do desempenho dos estudantes durante todo o ano letivo e a organização do trabalho pedagógico das escolas.

O ministro também ressaltou o investimento que será realizado, de cerca de R$ 1,2 bilhão, no Programa Educa Mais Norte e Nordeste para fomentar a capacidade de acesso a políticas de educação na região. Em relação ao evento, o ministro salientou a importância para unir o setor educacional. “A Bett Brasil é uma oportunidade única para conhecer as inovações e fazer parcerias de qualidade”, disse Godoy.

Também na abertura do evento, o gerente da Unidade de Educação Empreendedora do Sebrae Nacional, Jânio Macedo, falou sobre a capacitação de professores em educação empreendedora que é promovida pela instituição. “Nosso objetivo é a formação de professores, para que possam desenvolver junto com os alunos competências empreendedoras”. Segundo ele, o Sebrae já impactou mais de 8 milhões de alunos com a capacitação de 500 mil professores por todo o Brasil. “A Bett Brasil é voltada para educadores e acredito que, por intermédio deles, é possível transformar a realidade do Brasil”, disse Macedo.

Ainda na abertura da Bett Brasil, estiveram presentes o presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (UNDIME), Luiz Miguel Garcia, a secretária de Educação do Conselho Nacional de Secretários de Educação (CONSED) e secretária de Estado de Educação do Distrito Federal, Hélvia Paranaguá e a vice-presidente da Federação Nacional das Escolas Particulares (FENEP), Amábile Pacios.

“Estamos vendo o renascimento da educação pela Bett Brasil”, disse Garcia, que reforçou que a inovação vista no evento vai além das ferramentas tecnológicas e está em inúmeras iniciativas de gestores e professores que “tornam possibilidades em realidade”. Helvia destacou a conquista de trazer para a Bett Brasil uma delegação com 30 professores da rede pública do Distrito Federal e como o poder de transformação na educação é alcançado por um regime de colaboração entre os educadores, o que é evidenciado nos quatros dias da Bett Brasil. Já a vice-presidente da FENEP ressaltou como a Bett abriu o espaço para que a rede particular de ensino pudesse compartilhar seus anseios e desafios.

Inédito – A Bett Brasil foi palco da pré-estreia do documentário “Educação Presente para o Futuro”, dirigido pela jornalista Patrícia Travassos. “É a primeira vez que o documentário é exibido ao público. A ideia é propor uma reflexão sobre o impacto da tecnologia na educação e fazer uma provocação ao mostrar os alunos como protagonistas e a necessidade de conectar a sala de aula com a realidade em torno do aluno”, disse Patrícia.

Após a exibição do documentário, a estudante Rozana Barroso, que é uma das personagens do filme, comentou a sua primeira impressão. “Muito emocionante. A gravação do documentário foi uma experiência muito legal, que reuniu jovens que atuam na luta pela educação no Brasil. Esse filme será um instrumento de transformação para muitos outros jovens”, disse Rozana. A jovem é presidente da União Brasileira de Estudantes Secundaristas, entidade representativa dos 40 milhões de estudantes de Ensino Fundamental, Médio e Pré-vestibular.

Fórum de Gestores – O painel “Panorama educacional pós pandemia: aspectos sociais e econômicos” marcou a abertura do Fórum de Gestores da Bett Brasil 2022. A mediação do conteúdo foi feita pela jornalista especializada em economia, Miriam Leitão, na companhia do sociólogo e consultor em educação, Cesar Callegari, e do CEO da Global ME, Emílio Munaro.

A jornalista chamou a atenção para a forte crise econômica que o Brasil está enfrentando e que, por consequência, também afeta a educação. “Estamos vivendo uma inflação de dois dígitos. A inflação tira a renda das famílias e os horizontes das empresas. É evidente que os gestores de educação estão vivendo os reflexos disso. Todo processo de pandemia foi penoso; o Brasil é desigual, mas todos sofreram com isso”.

Como solução para melhorar o acesso e o padrão da educação nacional, Miriam é categórica ao afirmar que sem a efetiva redução das desigualdades e sem inclusão isso não é possível. “Eu não acredito na educação que não trabalha a inclusão. É preciso investir na luta contra a desigualdade e entender que o que era urgência na educação antes da pandemia, agora é emergência. Temos mais crianças fora da escola, mais pessoas desconectadas, mais situação de vulnerabilidade, estudantes sem acesso tecnológico e com dificuldade de aprendizado”.

Em sua participação no painel, Cesar Callegari citou duas publicações recentes que convergem em um ponto específico: a necessidade de desenvolvimento de uma nova pedagogia, um método que incentive as práticas colaborativas e participativas. “Os currículos escolares precisam mudar, precisam ser mais articulados. É indispensável a capacitação do docente e a defesa e a proteção da escola. Escola é um espaço insubstituível”, diz. As publicações citadas pelo especialista são “Reinventando nosso futuro juntos”, da Unesco, e “Educação Já 2022”, da organização Todos pela Educação.

Novo Ensino Médio 

A nova formatação do Ensino Médio também foi tema de um painel no Fórum de Gestores. Na ocasião, o ex-ministro e ex-secretário de Educação do Estado de São Paulo, Rossieli Soares, apontou a necessidade de um novo formato de escola, atrativa aos jovens. “O período que compete ao Ensino Médio é o que mais registra evasão escolar. Uma avaliação conjunta feita em setembro de 2020 revelou que 54% dos jovens se sentiam desestimulados a estudar. Em maio do mesmo ano, o percentual era de 46%. Isso mostra o tamanho do desafio e a urgência de adaptações”.

De acordo com Rossieli, o desafio de uma escola participativa aumentou ainda mais após a pandemia. O Estado de São Paulo iniciou a implementação do novo sistema em 200 escolas estaduais em 2019. Em 2021, durante a pandemia, expandiu e aprimorou o novo Ensino Médio, que agora conta com 3.510 horas/aula e contempla temas como liderança e cidadania, cultura e empreendedorismo.

O Amazonas foi um dos primeiros estados a implementar o novo Ensino Médio. Um dos métodos utilizados nesse programa é o Centro de Mídias de Educação, que leva aprendizado aos municípios mais distantes por meio do ensino remoto. “A distância e a geografia são grandes desafios para o avanço da educação no estado, mesmo assim, investimos e hoje isso é uma realidade”, afirma a secretária de Educação do Estado do Amazonas, Maria Josepha Penella Pêgas Chaves.

O novo Ensino Médio na região consiste na formação geral básica e em itinerários informativos divididos em quatro eixos: inovação científica, processos criativos, mediação e intervenção sociocultural e empreendedorismo. O estado possui seis escolas bilíngues com aulas de inglês, japonês, francês e espanhol, além de laboratórios de makers. A nova metodologia do Ensino Médio foi aprovada em 2017, pela Lei Federal n° 13.415 para todo o Brasil.

Congresso Bett Brasil – Uma das temáticas de destaque do Congresso no primeiro dia do evento foi a Agenda 2030 para a Educação, criada em 2015 e que tem como objetivo elencar prioridades e metas para alcançar um desenvolvimento sustentável no mundo em diferentes áreas.

A diretora geral do Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais da Fundação Getúlio Vargas e ex-diretora de Educação do Banco Mundial, Cláudia Costin, trouxe para o congresso da Bett Brasil a reflexão sobre essa agenda e a educação no país. A especialista destaca que a proposta visa a importância de um aprendizado inclusivo, equitativo e de qualidade. “Buscamos uma educação qualificada, na qual todos possam aprender, independente de suas condições financeiras e sociais. Isso é primordial”. Segundo avaliação do PISA, o Brasil está estagnado há anos e detém o título de segundo território mais desigual entre os 79 participantes da avaliação.

Uma das metas propostas pela agenda trata de um tema comum a muitos países, inclusive no Brasil: a evasão escolar. De acordo com Cláudia, apenas 69% dos jovens terminam o Ensino Médio na idade correta no país. Outro objetivo é garantir acesso a programas de primeira infância com qualidade de ensino, além de impulsionar conhecimento e habilidades para um mundo sustentável.

Costin cita que houve avanços na educação nas últimas décadas. O Índice de Educação Básica (IDEB) vem apresentando crescimento positivo desde 2005 no Ensino Fundamental 1 e na avaliação do ano de 2019 o Ensino Médio também apresentou um salto em relação aos anos anteriores. A palestrante ressalta algumas tendências para a Educação no mundo, como o foco em resolução colaborativa com pensamento crítico, flexibilização de currículos, interdisciplinaridade e ensino híbrido. Para o futuro, Cláudia aponta como principal desafio a capacitação educacional e profissional para atender às novas demandas tecnológicas.

Para acelerar essas mudanças, Rodrigo Giorgi Reis, diretor do Instituto Global Attitude, explica que é preciso estimular alunos e professores na troca de experiências. “Quando colocamos o aluno como protagonista, motivamos ele a desempenhar papéis. O mesmo vale para o professor, que precisa estar motivado e ter acesso à profissionalização constante”. Reis pontua que a integração do tema em currículos e livros didáticos, o estímulo à formação de grupos como o grêmio estudantil, parlamento jovem, viagens, programas de voluntariado, laboratório vivo, entre outras ações práticas, favorecem o engajamento em torno do assunto.

Outro tema de destaque apresentado no congresso foi a importância da presença de mulheres na Educação. Rita Jobim, coordenadora pedagógica do Programa de Formação de Lideranças Educacionais do Centro Lemann, Débora Garofalo, gestora de Tecnologia e Inovação da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, Ana Maria Diniz, presidente do Instituto Península e Adriana Junqueira, voluntária em ações sociais ligadas à Educação, discutiram a falta de mulheres em cargos de liderança na área, os gaps sociais enfrentados por elas todos os dias e formas de combater o machismo estrutural na sociedade.

Exposição – Além da programação de conteúdo, a Bett Brasil é palco para lançamentos em soluções em tecnologia, metodologia e equipamentos das mais de 270 marcas. Metaverso, startups dedicadas à gestão escolar, entre outras iniciativas que promovem o uso de tecnologia e o ensino híbrido, as metodologias ativas, como Maker e STEAM, o desenvolvimento de habilidades socioemocionais e o ensino bilíngue em todos os níveis: da Educação Infantil ao Ensino Superior.

A programação completa da Bett Brasil está disponível no site do evento, em https://brasil.bettshow.com/bett-brasil/edicao-presencial.

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