Opinião

Indisciplina escolar

Por Sebastião Donizete Santa Rosa

Preocupam-me as inúmeras reclamações de indisciplina de estudantes que vêm relatadas em nossas escolas. Esse problema certamente será agravado à medida em que um número maior de estudantes comecem a frequentar as aulas presenciais e as condições estruturais e pedagógicas oferecidas se demonstrarem, como já sabemos, insuficientes para atendê-los.

Estamos enfrentando no estado do Paraná o maior desmonte pedagógico de nossa história. Não temos uma concepção clara de educação, não há um planejamento sério do Estado, não são oferecidas oportunidades de formação e nem de organização coletiva de trabalho aos educadores em nossas escolas. De forma atabalhoada, na base da gambiarra e do improviso, a única coisa que a secretaria de educação faz é pressionar diretores, pedagogos e professores pelo cumprimento de metas, invariavelmente inexequíveis.

Sobrecarregados de tarefas, trabalhando sobre pressão, desorientados e completamente exaustos, nossos professores não têm condições psicofísicas para estudar e preparar aulas com a qualidade exigida pelo momento que vivem nossos estudantes. Diante do desconforto das salas de aula e da dificuldade de acompanhar e de aprender a sequência objetivada de conteúdos, é óbvio que haverá inquietude, conversas paralelas, atos de rebeldia. É óbvio também que isso agrava ainda mais o desgaste dos educadores, cuja resposta acaba sendo, muitas vezes, o mau-humor, os chamados de atenção ríspidos e os gritos. Com o passar dos dias, o ambiente escolar vai se tornando um ambiente agressivo, de desrespeito e de hostilidade.

Diante do caos construído, acaba vindo a solução mágica do governo do Paraná: militarizar as escolas e tratar as crianças e os adolescentes como casos de polícia. Nessa toada, nossas escolas em breve se transformarão em educandários e nossos professores em legítimos carcereiros…

Embora o momento seja difícil, não podemos, em momento nenhum, perder a ternura. Nossos estudantes não têm culpa nenhuma do drama político que estamos vivendo. Para sobreviver, precisamos ser rebeldes junto com eles. O único caminho neste momento é deixar o monte de asneiras que o governo impõe como conteúdos obrigatórios e estabelecer diálogos pedagógicos francos com nossos estudantes, criando condições concretas para a aprendizagem através do desenvolvimento de comportamentos disciplinares conscientes.

E, para não esquecer, #ForaRenatoFeder, o mal da escola pública do Paraná.
* Sebastião Donizete Santa Rosa é professor na região metropolitana de Curitiba.
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