Internacional

EUA impõem sanções econômicas contra prisões geridas por Al-Assad na Síria

Bashar Al-Assad, presidente da Síria (Foto: Wikimedia Commons)

Mais de 14 mil pessoas teriam morrido nas penitenciárias que servem aos serviços de inteligência da Síria

Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou, na quarta-feira (28), novos alvos de sanções econômicas, dessa vez com foco na guerra civil que assola a Síria. Foram incluídos na lista de restrições um grupo sírio acusado de terrorismo e oito prisões geridas pelos serviços de inteligência do regime de Bashar Al-Assad.

“Nossas designações hoje devem servir como um lembrete de que os Estados Unidos usarão todas as suas ferramentas diplomáticas para promover a responsabilização das pessoas que infligiram abusos e sofrimento ao povo sírio”, disse Aimee Cutrona, autoridade sênior do Departamento de Estado dos EUA que lida com a Síria.

Um relatório do Tesouro explica as implicações de ser incluído na lista de restrições. “As propriedades e interesses na propriedade das pessoas designadas descritas acima que estão nos Estados Unidos ou na posse ou controle de pessoas dos EUA estão bloqueados e devem ser relatados ao OFAC (Departamento de Controle de Ativos Estrangeiros, da sigla em inglês) do Tesouro dos EUA. Além disso, quaisquer entidades que pertençam, direta ou indiretamente, 50% ou mais a uma ou mais pessoas bloqueadas, também são bloqueadas”.

Segundo o texto, o grupo Ahrar al-Sharqiya foi sancionado porque “cometeu vários crimes contra civis, especialmente curdos sírios, incluindo assassinatos, sequestros, tortura e apreensão de propriedade privada. O grupo também incorporou ex-membros do Estado Islâmico (EI) em suas fileiras”.

14 mil mortos

Já as prisões geridas pelos serviços de inteligência sírios entraram na lista de restrições porque, segundo Washington, são “locais de abusos dos direitos humanos contra prisioneiros políticos e outros detidos”. Há mais de dez anos os EUA contestam a atuação da Inteligência Militar da Síria por abusos contra os direitos humanos, sobretudo por desrespeitar a liberdade de livre manifestação.

O relatório afirma que ao menos 14 mil pessoas foram torturadas até a morte nas prisões sancionadas, e outras 13 mil “continuam desaparecidas ou detidas arbitrariamente até hoje – a grande maioria das quais está presumivelmente morta ou está detida sem comunicação com a família ou representação legal”.

Terrorismo

O Tesouro norte-americano também incluiu em sua lista de sanções dois indivíduos acusados de associação a grupos terroristas. Um deles, Hasan Al-Shaban, estabelecido na Turquia, teria usado sua conta bancária para receber dinheiro de eventuais doadores da Al-Qaeda. “Membros da Al-Qaeda utilizaram contas bancárias associadas a Al-Shaban para coordenar a movimentação de dinheiro de associados na África do Norte, na Europa Ocidental e na América do Norte, e separadamente usaram Al-Shaban para coordenar a transferência de fundos para a Turquia”.

Já Farrukh Furkatovitch Fayzimatov, estabelecido na Síria, “utiliza a mídia social para postar propaganda, recrutar novos membros e solicitar doações para (o grupo terrorista) Hayat Tahrir Al-Sham (HTS). Fayzimatov organizou campanhas de arrecadação de fundos para a comunidade para a compra de equipamentos em benefício do HTS, incluindo motocicletas”.

“Essas designações expõem os esforços contínuos da Al-Qaeda e do HTS para usar o sistema financeiro formal global e destacam a necessidade de vigilância contínua contra a arrecadação de fundos terroristas e o recrutamento na Internet”, diz o relatório do órgão.

No Brasil

Casos mostram que o Brasil é um “porto seguro” para extremistas. Em dezembro de 2013, um levantamento do site The Brazil Business indicava a presença de ao menos sete organizações terroristas no Brasil: Al Qaeda, Jihad Media Battalion, Hezbollah, Hamas, Jihad Islâmica, Al-Gama’a Al-Islamiyya e Grupo Combatente Islâmico Marroquino.

Em 2001, uma investigação da revista VEJA mostrou que 20 membros terroristas de Al-Qaeda, Hamas e Hezbollah viviam no país, disseminando propaganda terrorista, coletando dinheiro, recrutando novos membros e planejando atos violentos.

Em 2016, duas semanas antes do início dos Jogos Olímpicos no Rio, a PF prendeu um grupo jihadista islâmico que planejava atentados semelhantes aos dos Jogos de Munique em 1972. Dez suspeitos de serem aliados ao Estado Islâmico foram presos e dois fugiram.

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