Internacional

Áudio em que ex-chefe da KGB de Belarus planeja mortes é real, diz perícia

O presidente da Belarus, Aleksander Lukashenko, em visita ao Kremlin em setembro de 2020 (Foto: Kremlin)

Especialistas do Laboratório Criminal para Documentos de Áudio e Vídeo, de São Petersburgo, na Rússia, concluíram que uma das três vozes no áudio vazado onde se planejam crimes contra dissidentes belarussos é do ex-chefe da inteligência de Belarus, Vadim Zaitsev.

Análises de áudio, linguísticas e instrumentais forenses concluíram que Zaitsev ajudou a planejar assassinatos e perseguição a dissidentes do regime, aponta o relatório ao qual a Radio Free Europe teve acesso.

Na gravação vazada ao jornal EUObserver no último dia 4, os homens discutem a melhor forma de perseguir e matar opositores do regime de Minsk. Eles citam nomes de jornalistas e críticos ao presidente Aleksander Lukashenko que vivem no exterior.

O material teria sido recolhido em 2012, quando Zaitsev era o chefe da chamada KGB, órgão belarusso que mantém o nome e as práticas do antigo aparato repressivo soviético. Quem o enviou foi o ex-funcionário público bielorrusso Ihar Makar, hoje exilado.

“A liquidação deve parecer muito natural para que ninguém possa questioná-la. Deve ser precisa”, diz Zaitsev no áudio, de mais de uma hora. Os especialistas compararam a voz com outras cinco gravações.

Crimes planejados

No áudio, o chefe de espionagem de Belarus fala com oficiais do Alpha Group, unidade de elite contra terrorismo da KGB. Ele orienta a formação de uma força-tarefa clandestina para atacar os dissidentes do regime com explosivos e veneno.

Segundo Zaitsev, Lukashenko teria investido mais de US$ 1,5 milhão para essas “operações” e “buscava resultados”. “É importante para mim que ninguém pense na KGB”, diz Zaitsev.

O chefe da espionagem belarrussa também discute o assassinato do jornalista Pavel Sheremet, morto após uma explosão de carro-bomba em 2016 na Ucrânia.

“Devíamos trabalhar em Sheremet, que é um grande pé no saco”, sugere. “Vamos plantar [uma bomba] e esse maldito rato será derrubado em pedaços – pernas em uma direção, braços na outra. Se tudo [parecer] causas naturais, não entrará nas mentes das pessoas da mesma forma”, disse Zaitsev.

 

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