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Geração de energia por biomassa deve atingir mais de 2,16 mil megawatts até 2028

Segundo o acompanhamento da implantação de centrais geradoras de energia elétrica, realizado mensalmente pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), somente em 2022, devem ser instaladas mais de 600 megawatts na rede do Sistema Elétrico Interligado Nacional, provenientes de geração a partir de biomassa. Atualmente, a biomassa, fonte renovável, corresponde a 8,8% da geração de energia elétrica no país.

São Paulo, SP 3/3/2022 – Com o projeto proposto, todos esses resíduos deixariam de ser “problema”, sendo utilizados na fabricação de pellets de madeira e transformados em energia limpa.

Segundo o acompanhamento da implantação de centrais geradoras de energia elétrica, realizado mensalmente pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), somente em 2022, devem ser instaladas mais de 600 megawatts na rede do Sistema Elétrico Interligado Nacional, provenientes de geração a partir de biomassa. Atualmente, a biomassa, fonte renovável, corresponde a 8,8% da geração de energia elétrica no país.

A previsão de início de operação das usinas de geração de energia elétrica, tendo a biomassa como fonte, deverá acrescentar ao Sistema Elétrico Interligado Nacional 2.169,93 megawatts (MW) até 2028, com acréscimo de mais 41 usinas. Apenas em 2022, o volume previsto a ser adicionado ao sistema deve atingir 602,17 MW. Os dados fazem parte do acompanhamento da implantação das centrais geradoras, previstas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e divulgados em fevereiro.

Atualmente, segundo a Agência, a energia gerada por meio de biomassa corresponde a 8,8% do total da matriz energética brasileira. No planejamento de acréscimo de potência em megawatts ao sistema até o ano de 2028, a fonte por biomassa supera a expectativa de incremento de fonte por hidrelétrica, que não deve passar de 1.406,14 MW. O maior incremento deverá vir das fontes eólicas (13.123,78 MW) e solar (32.284,36 MW).

O gerente de projetos, com especialização em fontes renováveis de energia, Marcelo Paiva Ultra, lembra que o incremento de energia elétrica por fontes renováveis na matriz brasileira faz parte do compromisso com a redução da geração de energia por fontes que emitem gases de efeito estufa, como as de origem fóssil, a exemplo do carvão mineral e derivados do petróleo.

“Esse assunto tem sido tratado gerando compromissos e acordos entre vários países, tais como o Protocolo de Quioto, Acordo de Paris, COP26 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, 26ª conferência), entre outros, com o objetivo de reduzir as emissões dos gases que geram o efeito estufa e assim limitar o aumento da temperatura média global”, destaca.

Considerada uma fonte com emissão praticamente nula, a biomassa tem grande potencial de complementar a matriz energética nacional. Segundo Ultra, a emissão de dióxido de carbono (CO2) durante a combustão da biomassa é neutralizado pela captura do gás realizado pela vegetação de onde foi extraída durante seu ciclo de vida. “Entende-se que a quantidade de dióxido de carbono gerado na combustão da biomassa é a mesma quantidade de CO2 que a vegetação absorveu no processo de fotossíntese, durante todo seu ciclo de vida. Desta forma, na combustão desse tipo de biomassa pode-se considerar que a emissão de CO2 é nula, face ao balanço exposto”, diz.

Uso de pellets de madeira tem potencial para incremento de energia gerada via biomassa

O uso de pellets de madeira para a produção de biomassa e uso como fonte energética vem crescendo no mundo todo. No Statistical Report 2021 – Report Pellet, publicado pela Bioenergy Europe, os países da Europa continuam sendo os maiores produtores de pellets do planeta, atingindo cerca de 23 milhões de toneladas em 2020, registrando o crescimento de 5% na produção em 2020, quando comparado com 2019. Os 27 países da União Europeia foram responsáveis por 44% da produção mundial, 18,1 milhões de toneladas no ano de 2020. A produção mundial de pellets, em 2020, acompanhou o mesmo índice de crescimento da Europa, ou seja, aumento de 5% em comparação com o ano de 2019.

O produto é bastante utilizado naquele continente de forma a atender as demandas por energia limpa, onde em 2020, foram consumidos 30,1 milhões de toneladas. Os 27 países da União Europeia consumiram naquele mesmo ano 19,3 milhões de toneladas, o que representou 49% do total consumido no mundo.

De acordo com Marcelo Paiva Ultra, no Brasil, o uso dessa fonte tem bastante potencial. Em projeto desenvolvido no curso de pós-graduação em Energias Renováveis, Geração Distribuída e Eficiência Energética da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, no ano passado, foi proposta a construção e operação de uma fábrica de pellets de madeira a partir dos resíduos de poda de árvores urbanas. O desenho do projeto mostrou que há viabilidade desse processo.

“A poda urbana é um dos manejos vitais e inerentes a todo o ciclo de vida das árvores na urbanização das cidades. Os resíduos, fruto da poda urbana, são uma realidade nas cidades e precisam ser tratados ou descartados. Infelizmente, em algumas cidades brasileiras, grande parte dos resíduos são descartados de forma incorreta em aterros e lixões, sem o aproveitamento do imenso potencial para a geração de energia. Com o projeto proposto, todos esses resíduos deixariam de ser um “problema”, sendo utilizados na fabricação de pellets de madeira e transformados em energia limpa”, atesta o profissional, que também tem formação em engenharia eletrônica.

Ele ressalta que a adoção do sistema, porém, deve ser precedida de licenças ambientais e obedecer à regulamentação segundo as normas vigentes. “É preciso garantir a utilização dos filtros, dispositivos e controles necessários para conter os fumos, gases tóxicos, partículas e a correta destinação dos resíduos sólidos após a queima dos biocombustíveis”, conclui.

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