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Atividades de produção textual apresentam novos desafios

A BNCC traz uma nova forma de se compreender o que é ensinar, principalmente pela inserção de competências no desenvolvimento da aprendizagem. Para se encaixarem às novas diretrizes determinadas pelo MEC, professores buscam novas formas de trabalhar redações no Ensino Fundamental

São Paulo, SP 3/3/2022 –

A BNCC traz uma nova forma de se compreender o que é ensinar, principalmente pela inserção de competências no desenvolvimento da aprendizagem. Para se encaixarem às novas diretrizes determinadas pelo MEC, professores buscam novas formas de trabalhar redações no Ensino Fundamental

Desde o ano de 2018, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) orienta as 178.370 escolas de educação básica e os seus 2,2 milhões de educadores sobre os saberes fundamentais que devem ser trabalhados para que o aluno desenvolva seu aprendizado de modo qualitativo e coerente com os seus futuros desafios no mundo do trabalho e, principalmente, como cidadão.

Para que isso ocorra, o documento apresenta uma série de novidades em relação ao ensino tradicional, principalmente pela aplicação pedagógica de competências, que são o conjunto de conhecimentos, habilidades e valores articulados para a realização de tarefas que auxiliam os jovens em diferentes atividades do cotidiano, como realização de cálculos para administração financeira pessoal e a interpretação de diferentes tipos de textos.

No documento, as competências são divididas entre gerais – que servem de estrutura para a educação básica como um todo – e específicas – que atuam de modo relacionado às áreas de conhecimento, como Linguagens, Matemática e Ciências da Natureza.

A Produção de Textos

Nos anos finais Ensino Fundamental (do 6º ao 9º ano, atendendo a jovens de 11 a 14 anos), um dos maiores desafios dos professores é promover atividades em que os 11.981.950 alunos matriculados por todo o Brasil trabalhem, de modo oral ou escrito, temas importantes da sociedade contemporânea, utilizando diferentes linguagens para a defesa consciente de diferentes pontos de vista, tanto no aspecto regional como no socioambiental. Para os professores de português, as práticas de redação relacionadas a outras disciplinas oferecem tantas dificuldades quanto a natural falta de interesse dos alunos no ambiente de sala de aula seguida pelos altos índices de evasão escolar que, segundo a organização Todos pela Educação, registrou um aumento de 171,1% em relação ao ano de 2019.

Mário Fernandes Miskolczi, professor de Língua Portuguesa e Redação do Colégio Delta, localizado em Santana, na cidade de São Paulo, entende que a melhor forma de inserir o aluno no ambiente escolar como protagonista no processo de criação de textos é por meio de metodologias ativas, que colocam o jovem como responsável e principal ator no processo de desenvolvimento de suas habilidades: “com o uso de metodologias ativas, o docente tem, como principal atividade, a apresentação de recursos para que o aluno melhor desenvolva suas habilidades, oferecendo o necessário suporte em prol de seu crescimento com o indivíduo que lê, compreende e produz os mais diversos tipos de textos”. Alguns dos modelos mais usados de metodologias ativas são a gamificação – transformação de conteúdo das aulas em jogos -, a sala de aula invertida – apresentação dos temas trabalhados em aula pelos alunos -, e os trabalhos por projetos, que dão sentido ao conteúdo explicado pelos professores.

Mário ainda ressalta o uso de diferentes recursos tecnológicos para a produção de textos orais ou escritos com o fim expositivo: “Se hoje o aluno dispõe de recursos como as redes sociais e os blogs, por que, em alguns momentos, não podemos usá-los como instrumento em sala de aula? Considero também importante que o grupo de jovens saia da escola aprendendo a fazer pesquisas, apresentações, infográficos ou quaisquer outros instrumentos cognitivos relevantes para uso no seu contexto social”. Em contrapartida à realidade das escolas particulares, docentes de Língua Portuguesa do Ensino Fundamental em escolas municipais encontram mais dificuldades para a inserção de metodologias específicas que necessitam de recursos tecnológicos, pois, segundo o Censo Escolar de 2021, apenas 27,8% das escolas oferecem acesso à internet para seus alunos.

O uso de metodologias ativas para o desenvolvimento de competências exige, tanto de escolas de ensino básico como também de educadores, novas formas de se compreender o que é um ambiente pedagógico fomentador de conhecimento. O Ministério da Educação, por meio de programas como o Proinfo e o Pró-letramento, oferece uma gama de capacitações que podem auxiliar os educadores de Língua Portuguesa na difícil tarefa de educar alunos para que suas produções textuais orais e escritas sejam condizentes às principais questões da sociedade e às novas demandas oriundas da BNCC.

Website: https://colegiodelta.com/

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