Opinião

Professor de Paranaguá relata perseguição e corte de horas extras

Como não poderia ser diferente, o Blog do Take continua recebendo denúncias de autoritarismo e perseguições, nas escolas estaduais comandadas pelo secretário Renato Feder.

Ao que parece, o assédio moral continua a todo vapor.  Sentindo a necessidade de aparecer bem cotado e em mostrar que são eficientes, em cumprir o papel de capitão do mato (daqueles negros que entregava os outros negros que fugiam do domínio do branco nas senzalas) e aparecer bem posicionado para Secretário da Educação e que mostrar estão trabalhando no mesmo time,  prejudicando os professores onde doí mais: no bolso do cidadão

Leiam o depoimento a seguir:

Por Fernando Rocha Alves dos Santos

“Em 2020, no mês de junho, o meu salário não foi depositado. Estava lotado no Núcleo Regional de Educação,  no município de  Paranaguá, no colégio Estadual Roque Vernalha. Ao questionar a Direção do estabelecimento, este informou que iria rever, alegando que “eu não havia trabalhado durante esse mês”. Mesmo decepcionado, continuei meu tele trabalho normalmente, sendo perseguido pela direção deste colégio, pois me foi atribuída, de abril a agosto, faltas inexistentes e sem explicação.

No mês de agosto/2020 tive Covid 19 e, seguindo o protocolo da Vigilância Sanitária, enviei o atestado de 12 dias e obtive a seguinte resposta da perícia médica: CONFLITO DE BENEFICIOS. SERVIDOR COM FALTAS JÁ LANÇADAS PELO RH.

Como assim? As faltas foram lançadas, desconsiderando o fato de estar de licença médica? O mais estranho é que só foram lançadas no padrão, a outra escola, das aulas extras, constava a “licença médica”.

Agora me pergunto:
Se faltei, quem é que atendeu os alunos? Quem fez o RCO? Quem fez o Classroom? Quem deu atividades, exercícios, avaliações e atribuiu notas a esses alunos?

Se houve esse período de faltas, de abril até agosto, estes alunos não deveriam ter tido um Professor Substituto. Por que não tiveram?

Minha resposta: simplesmente porque EU que estava ali, demonstrando a atitude de perseguição e autoritarismo do diretor do colégio. Isso é assédio Moral.

Somando todas as faltas, descontadas nas folhas de pagamento de junho a agosto de 2020, tive um prejuízo de mais de R$20.000 (vinte mil reais). Estou sendo punido injustamente, já que tenho me desdobrado para pagar a conta a internet para fazer as MEETs, os atendimentos aos alunos via wattsapp, e para acessar o Classroom, os e-mails, conforme orientação da Secretária de Educação.  O pior é que não param de vir registros de faltas nos meus holerites até hoje, e ninguém sabe me explicar que faltas são essas; nem Núcleo Regional de Educação, nem a Secretária de Educação do Paraná.

Em contato com Direção, com o Núcleo Regional da Educação e com a Secretária de Educação, fui instruído a fazer um E-protocolo, que está tramitando, a mais de 100 dias. Quando questiono o Núcleo Regional de Educação ficam num jogo de emburra/empurra. Não aguento mais…

Em 2021, pedi ordem de serviço para Curitiba, pois não queria continuar trabalhando com esses tiranos, que prejudicaram minha vida. O padrão, iniciou dia 06/02/2021, no Colégio Cívico-Militar, com 40 h/aulas (um padrão de 20h/aulas e extras 20h/aula). Trabalhei 2 semanas, fiquei doente, tendo que me afastar por 5 dias. Enviei atestado via perícia médica, onde foi concedido a licença. Sem ser comunicado e sem justificativa, no dia de fechamento da folha, tiraram do sistema as minhas aulas extras.

Não bastando tudo isso, tive mais uma surpresa no meu pagamento: além de não ter o salário referente as aulas extras, ainda recebi somente o valor de R$1.055,00 – referente ao padrão. Questionei e me devolveram as aulas extras, mas somente 9, sendo informado pela Direção do colégio que deveria completar as aulas em outro estabelecimento de ensino.

Liguei no Núcleo Regional de Educação, no RH/Setor de aulas que me informou que, no colégio, não há padrão para assumir as aulas, sendo que extras que me foram tiradas foram atribuídas para o Processo Seletivo Simplificado.

Isso demonstra a perseguição do diretor, pois foi ilegal retirarem as aulas extras, fui prejudicado: financeiramente e moralmente. Estamos sofrendo ataques, em cima de ataques. Cada dia várias resoluções, que mudam a todo momento. Muitas cobranças: aulas pela TV, Youtube e Classroom, que não tem o mínimo de sincronização. Os alunos estão ficando malucos; os pais nos procuram, a todo momento, dizendo que não estão entendendo nada. E os professores estão adoecendo, numa tentativa suicida de dar conta de tantas demandas… de tanta (des) informação, dos grupos de whats app (tenho 19 grupos), atender os alunos, mandar e ler os e-mails, e ainda dar aulas online, com duração 40 minutos cada uma. E ninguém faz nada…

Minha mãe mora em São Paulo, chegou na minha casa esta semana, quando me viu, sua reação foi: “Que cara que é essa? Você está doente. Já se olhou no espelho?” Estou tomado 3 medicações, controladores de humor e antidepressivos.

A educação no Estado do Paraná está falida, é uma farsa. O Governador e o Secretário da Educação dizem na TV e nas redes sociais, que está tudo uma maravilha. Mentirosos. Desconhecem o que é uma escola pública de qualidade. O Secretário de Educação, Renato Feder, deveria abrir um diálogo com os Professores, mas nunca o fez. Precisamos divulgar as tragédias que vem ocorrendo com a educação e com os profissionais. Alguém precisa nos ajudar, temos que agir, unir as forças, PARAR COM TUDO IMEDIATAMENTE. ENFIM ESSA DECADÊNCIA PRECISA PARAR.”

* Fernando Rocha Alves dos Santos, é professor de geografia em Paranaguá.

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